Existe uma fábula, que algumas pessoas dizem que é japonesa, mas que outras dizem que é de origem indígena, que conta a estória de um beija-flor…

Aqui está a versão do site Iracambi – fazenda e floresta de mãos dadas (Preservação, defesa e conservação do meio ambiente da Mata Atlântica):

A Fábula do Beija Flor

Era uma vez um Beija-Flor que fugia de um incêndio juntamente com todos os animais da floresta. Só que o Beija-Flor fazia uma coisa diferente: apanhava gotas de água de um lago e atirava-as para o fogo. A águia, intrigada, perguntou: – “Ô bichinho, achas que vais apagar o incêndio sozinho com estas gotas?” – “Sozinho, sei que não vou”, respondeu o Beija-Flor, “mas estou a fazer a minha parte”.

A versão que conheci primeiro, quando comecei a minha prática no Zen, do livro “Para uma Pessoa Bonita” escrita pela abadesa do Mosteiro Feminino de Nagoya, Shundo Aoyama Roshi, não termina neste ponto. Continua, contando que ao ver a coragem deste beija-flor, o céu, compadeceu-se, e enviou uma tempestade, que apagou o incêndio e salvou a floresta.

Parece que a nossa sociedade secularizada cortou este final – não o encontro na Internet, pelo menos numa lingua que consiga ler.

De um lado, acho positivo esta atitude, pois, ao contar a fábula hoje em dia, falam da importância de cada um de nós ter a coragem de fazer a sua parte, independentemente do tamanho do obstáculo, e terminam nos lembrando que juntando as nossas forças e trabalhando juntos, podemos solucionar os problemas sociais. Falam da coragem e da solidariedade.

Por outro lado, cortar aquele final da fábula me deixa triste, pois me faz pensar que estamos esquecendo um pouco da nossa fé em algo maior, a nossa confiança no Sagrado.

Gostaria de propor uma nova versão da fabula assim:

A Fábula do Beija Flor – versão Zen

Era uma vez um Beija-Flor que fugia de um incêndio juntamente com todos os animais da floresta. Só que o Beija-Flor fazia uma coisa diferente: apanhava gotas de água de um lago e atirava-as para o fogo. A águia, intrigada, perguntou: – “Ô bichinho, achas que vais apagar o incêndio sozinho com estas gotas?” – “Sozinho, sei que não vou”, respondeu o Beija-Flor, “mas estou a fazer a minha parte”.

Envergonhado, a águia chamou os outros pássaros e, juntos, todos entraram na luta contra o incêndio. Vendo isto, os elefantes venceram seu medo e, enchendo suas trombas com água, também corriam para ajudar. Os macacos pegaram cascas de nozes para carregar água. No fim, todos os animais, cada um de seu jeito, acharam maneiras de colaborar na luta. Pouco a pouco, o fogo começou a se debilitar quando, de repente, o Ser Celestial da Floresta, admirando a bravura destes bichinhos e comovido, enviou uma chuva que apagou de vez o incêndio e refrescou todos os animais, já tão cansados – mas felizes…

Que possamos todos nós ter a coragem de fazer a nossa parte e a solidariedade de trabalhar juntos – na fé de estarmos abertos para as bençãos do Sagrado…

Vídeos:

Vídeo-clipe de Michael Yahgulanaas, baseado em seu livro de estilo “mangá”, que conta a fábula na versão dos povos Haida (Noroeste Pacífico) e Quechan (América do Sul) com o beija-flor chamado Dukdukdiya (narrado em inglês).

A Professora Wangari Maathai, ativista dos direitos da mulher, fundadora do Movimento Cinturão Verde (Green Belt Movement) e a primeira mulher a receber o Prêmio Nobel da Paz, conta a fábula numa palestra da Royal Geographical Society (em inglês):

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