SOBERANIA ALIMENTAR
Transnacionais avançam sobre a produção agrícola mundial e passam a controlar boa parte da oferta de alimentos

Rui Kureda
de São Paulo (SP)

AS CORPORAÇÕES transnacionais ocupam um espaço cada vez maior na cadeia produtiva de alimentos. Um exemplo bastante claro é o da indústria de sementes. No livro A Transnacionalização da Indústria de Sementes no Brasil, publicado pela Action Aid do Brasil, John Wilkinson, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, aponta que essas corporações têm como estratégia a participação na indústria de sementes com produtos de maior valor agregado.
O maior mercado de sementes no Brasil é o de soja, no qual a participação das transnacionais é relativamente pequena; a Embrapa detém cerca de 65% desse mercado. Porém, a presença de corporações estrangeiras, como a Monsanto, vem se expandindo. Entre 1997 e 1999, a transnacional ampliou a sua participação em 6%, passando a abarcar 18% do mercado.
Embora não existam dados precisos, é certo que o contrabando da soja transgênica Roundup Ready é o motivo desse crescimento. No Rio Grande do Sul, onde está a maior produção de soja transgênica do país, a transnacional já detém cerca de 70% do mercado.
Em outros segmentos, a presença das corporações é bem maior. O terceiro maior mercado de sementes no Brasil é o de milho, onde a transnacionalização é esmagadora. Um processo agressivo de aquisições pela Monsanto, incorporando a Agroceres, a Cargill e a Braskalb, alçou a empresa à condição de detentora de 60% das sementes de milho brasileiras. A Unimilho, única empresa de sementes de milho de capital nacional, possui apenas 5%.

O mercado de sementes híbridas, onde se enquadra o milho, é, de longe, o mais rentável. Isso porque uma característica dessas variedades é que os descendentes das sementes de primeira geração vão, gradativamente, perdendo suas características originais, obrigando os agricultores a comprar sementes novas.[…]

♦ ler o restante do artigo no site: Brasil de Fato, Ed. 231, 2-8 de agosto de 2007

As pessoas estão falando e comentando e passando a dica adiante – mais de 900 resultados para “The World According to Monsanto” no Google até esta data – sobre o documentário da jornalista francesa Marie-Monique Robin: “O Mundo Segundo a Monsanto” (Le Monde selon Monsanto). Pra quem ainda não sabe, vale a apresentação: o ícone da indústria dos alimentos geneticamente modificados hoje se chama Monsanto, uma das empresas mais envolvidas em controvérsias que eu tenho notícia. Quando um anúncio na tevê lhe vender a idéia de que os GMO são o que há de mais avançado em comida no mundo, as chances desse anúncio ser da Monsanto são praticamente todas. E veja esse outro filme – RoundUp Ready Nation, sobre o herbicida que todos os grãos da Monsanto precisam usar para funcionar – sua autora, Pamela Drew, comenta o filme da Monsanto no Newsvine.

do Blog Dharmalog

♦ Ver também: Transgênicos – o que a grande mídia não diz do blog Feijão – amor pela terra

e a reportagem Sementes do poder da Revista Carta Capital.

♦ Assistir o vídeo francês (em inglês) e ler uma discussão (em inglês) na página This Company May Be the Biggest Threat to Your Future Health no site de Mercola.com

♦ Ler a reportagem ‘Monsanto’s Harvest of Fear (A Colheita do Medo da Monsanto)” (em inglês) da revista Vanity Fair

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