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Do site do Movimento de Combate a Corrupção Eleitoral:

Projeto de iniciativa popular será entregue na terça-feira, 29/09, no Congresso Nacional
qui, 24/09/2009 – 16:33 — MCCE

Os esforços de mais de um ano da Campanha Ficha Limpa serão entregues ao Congresso Nacional na terça-feira, 29/09, às 11:30h. As 1 milhão e 300 mil de assinaturas, arrecadadas pela sociedade civil em todo o Brasil, serão repassadas ao presidente da Câmara dos Deputados, deputado Michel Temer.

A partir das 9h haverá a concentração de membros do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) e da sociedade civil em frente ao Congresso Nacional. Às 10h haverá uma sessão solene em comemoração aos 10 anos da primeira lei de iniciativa popular do país, a lei 9840/99, que trata do combate à compra de votos e ao uso eleitoreiro da máquina administrativa. Às 11h30, juristas, sociedade civil e representantes das 43 entidades que compõem o Comitê Nacional do MCCE se dirigirão ao salão verde do Congresso para o encontro com Temer, quando haverá a entrega oficial do PL e das assinaturas da Campanha Ficha Limpa.

Ciente de que muitos formulários ainda circulam pelo país devido a greve dos Correios, o MCCE se compromete a entregar as assinaturas que chegarem a Brasília depois do dia 29/09, mesmo com o PL já tramitando no Congresso Nacional. “Não ficaremos com nenhuma assinatura e também fazemos um apelo para que as pessoas não guardem formulários em casa”, acrescenta a secretária executiva do Movimento, Cristiane Vasconcelos.

Ainda há tempo! Você pode imprimir o formulário, coletar assinaturas ainda hoje e enviar a sua manifestação amanhã (segunda-feira)!

Numa democracia, talvez o valor mais importante é a igualdade perante a lei para todos os indivíduos. Numa sociedade secular, a separação entre o estado e as religiões é um valor inestimável – que pressupõe a igualdade de todas as religiões perante a lei, sem qualquer tipo de favoritismo ou preferência por parte dos governantes.

Assim, esperamos que os nossos representantes trabalhem para a “tolerância religiosa” (o respeito mútuo entre as religiões) e a “liberdade religiosa” em lugar de criar um dia especial para este ou aquele grupo religioso. Vinte ou trinta por cento da população não é a população inteira. Não estamos discutindo a qualidade de um grupo ou outro – a questão é outra. O ato de criar um reconhecimento especial – como o dia especial proposto no Projeto de Lei 3541/08 – para um único grupo cria divisões em lugar de paz e harmonia.  Se um dia especial para um grupo religioso for decretado, naturalmente, todos os outros grupos religiosos terão o direito de ter o seu dia especial – o dia dos católicos romanos, católicos ortodoxos, metodistas, batistas, presbitarianos,  religiões afro-brasileiras, espíritas, hindus, judeus, mulçumanos, budistas, religiões indígenas (só para citar algumas) – e ainda temos que lembrar as “novas religiões”, que certamente vão também reclamar os seus direitos.

Por favor, queridos representantes do povo brasileiro: não sigam por este caminho de divisão e favoritismos. Por favor, declarem um dia Nacional da Espiritualidade que possa acolher a todos, sem excluir ninguém. Ou um dia Nacional do Diálogo Inter-religioso ou dia Nacional da Liberdade Religiosa. Em nome da democracia e em nome da sociedade secular, evitem dar favoritismo a qualquer grupo religioso, por mais respeitável que seja.

Mais abaixo, seguem uma reprodução das reportagens que deram origem a esta presente mensagem.

Seguem aqui alguns links, para quem gostaria de manifestar-se para os nossos representantes. Este é uma lista pequena, que serve de exemplo, para ilustrar as possibilidades. Caso preferir, pode copiar e colar esta mensagem para facilitar a sua manifestação de opinião…

. para enviar mensagem ao Presidente da República (clique em “Presidente” e depois clique em “Fale com o Presidente”)

. para enviar mensagem aos Senadores Federais (máximo de 500 carácteres na mensagem)

. para enviar mensagem aos Deputados Federais

. para enviar mensagem ao Governo Estadual de Rio Grande do Sul, clique em “fale conosco” neste site.
. para enviar mensagem à Secretaria do Meio Ambiente do Estado de Rio Grande do Sul, clique em “fale conosco” neste site.

. para enviar mensagem aos Deputados Estaduais, da Assembléia Legislativa do Estado de Rio Grande do Sul, clique em “Deputados” na barra lateral de esquerda, depois clique em “Lista dos Deputados” para ter acesso aos e-mails destes representantes estaduais.

. para enviar mensagens à Prefeitura de Porto Alegre, veja esta lista com os endereços do Gabinete do Prefeito e os vários Secretarias Municipais.

. para enviar mensagem aos Vereadores da Câmera Municipal de Porto Alegre, clique em “Vereadores” para ter acesso aos e-mails destes representais municipais.

. Abaixo Assinado.org – Todos tem direito de manifestar sua posição perante a sociedade.

1. CCJ da Câmara aprova criação do Dia Nacional do Evangélico

Rodolfo Torres, 26/08/2009 – 13h44

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou nesta quarta-feira (26) a criação do Dia Nacional do Evangélico, a ser comemorado em 30 de novembro de cada ano. A proposta não determina que a data seja feriado. No entanto, essa postura já é adotada pelo Amapá e pelo Distrito Federal.

Aprovada em caráter terminativo (sem a necessidade de ir a plenário), a proposta seguirá para a análise do Senado. De autoria do deputado Cleber Verde (PRB-MA), o Projeto de Lei 3541/08 destaca o substancial crescimento dos evangélicos no país.

“De acordo com pesquisas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), os evangélicos representam hoje 20,3% da população brasileira. Esse percentual corresponde a mais de 34 milhões de pessoas”, argumenta o parlamentar maranhense.

“Ao contrário do que acontece com os católicos brasileiros, cuja maior parte nasce dentro da religião mas na maioria dos casos não a segue completamente, os evangélicos levam a prática da fé a sério. Para começar, muitos evangélicos são convertidos – ou seja, escolheram aderir a uma religião por conta própria. Por isso, tendem a se tornar militantes da causa, envolvendo-se nos cultos e nas atividades comunitárias desenvolvidas em torno dos templos que freqüentam”, justifica o deputado no projeto.

2. Câmara regulamenta o direito à liberdade religiosa

Gilberto Nascimento, 27/08/2009  00h25

O deputado Eduardo Cunha foi o relator do texto aprovado pelo Plenário.

O Plenário aprovou nesta quarta-feira o Projeto de Lei 5598/09, do deputado George Hilton (PP-MG), que regulamenta o direito constitucional de livre exercício de crença e cultos religiosos. A matéria segue agora para o Senado. Formulado nos mesmos moldes do Projeto de Decreto Legislativo 1736/09, aprovado na mesma sessão, o PL 5598/09 repete diversos artigos do acordo entre o Brasil e o Vaticano, adaptando-os a todas as religiões.

O texto aprovado é o do substitutivo do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que fez mudanças no formato da redação original para retirar o tom de acordo internacional.

Ficam garantidas normas já reconhecidas pela jurisprudência brasileira sobre questões como a inexistência de vínculo empregatício entre religiosos e igrejas. Sacerdotes de todas as religiões poderão ter acesso, observadas as exigências legais, a fiéis internados em estabelecimentos de saúde ou detidos em presídios.

Religião nas ruas
Uma das inovações em relação ao acordo com o Vaticano é a garantia de livre manifestação religiosa em locais públicos, com ou sem acompanhamento musical, desde que não sejam contrariadas a “ordem e a tranqüilidade pública”.

O texto prevê que nenhum edifício de uso religioso poderá ser demolido, ocupado ou penhorado, observada a função social da propriedade.

Capelães
Ao disciplinar a assistência religiosa no âmbito das Forças Armadas, o projeto garante que cada credo constituirá organização própria com a finalidade de dirigir, coordenar e supervisionar essa assistência aos seus fiéis.

Para isso, deverá ser assegurada igualdade de condições, honras e tratamento a todos os credos.

Ensino
Quanto ao ensino religioso, em vez de proibir a discriminação de qualquer credo na aplicação dessa disciplina nas escolas públicas (como aconteceu no caso do acordo com o Vaticano), o projeto proíbe o proselitismo, que é a atividade de catequizar uma pessoa.

Código Penal
O projeto estabelece também que a violação à liberdade de crença e à proteção dos locais de culto e suas liturgias sujeita o infrator a sanções do Código Penal, além da responsabilização civil pelos danos provocados.

Íntegra da proposta:
- PL-5598/2009

Notícias relacionadas:
Deputados aprovam o Estatuto da Igreja Católica

Reportagem – Eduardo Piovesan
Edição – João Pitella Junior

(Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura ‘Agência Câmara’)

Segue um vídeo muito bonito, com a narração de nossa amiga Liana Utinguassú, nos lembrando da urgência de aprendermos a viver em harmonia com a Natureza e com as diferentes culturas.

No envio do link do vídeo, escreveu:

“Sonhamos juntos, Realizamos JUNTOS.
Este Vídeo foi passado em Palestra no Mês do Meio Ambiente Banrisul/Programa Reciclar (24/06/2009). Agradecemos sempre pela oportunidade e apoio. Buscamos fazer nossa parte no sentido de gerar visibilidade, sensibilizar e unir forças, em RESPEITO a TERRA e seus filhos, SEGUIMOS caminhando.

“O Guerreiro deve fugir dos Jogos de aparências, pois o tempo é demasiado curto para estratégias de FAZ de conta”. (Carlos Aveline).
“Não bsucando desculpas por Não fazer e sim Razões para Fazer”.
“Nós… PERTENCEMOS À TERRA,
A TERRA MÃE..NÃO NOS PERTENCE “

O TEMPO URGE!

Liana Utinguassú
Servidora/Presidente OSCIP Yvy Kuraxo
Escritora: Obra Publicada: O Chamado da Terra
. www.yvykuraxo.org.br
. http://yvykuraxo.ning.com/.

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama faz discurso chocante para alguns mas realista e atual para outros. Para que não se confunda mais mitos (revelação mística) particulares e conhecimento humano secular, esse deve funcionar para todos sem distinção, de maneira que todos tenham acesso à segurança. Embora saibamos que discurso e prática política muitas vezes acabem não correspondendo, há aqui um bom indício, vindo da boca do presidente da nação mais influente do planeta.

encontrado no blog Sangha Margha

obama-hope1Não é correto para um monge (ou monja) tomar partido a favor de uma pessoa e contra outra (pelo menos publicamente – na hora de votar, é outro assunto), mas, vamos dizer a verdade: muitos de nos estamos bem contentes com a mudança de governo nos Estados Unidos.

Pesquisando para ler o discurso de posse do Presidente Obama, encontrei estes dois joguinhos (no site de um jornal americano).

Um dos jogos permite o jogador despedir-se do ex-Presidente Bush como quiser, jogando armas de destruição em massa, ovos, sapatos ou até flores ou doces contra/para ele. Use o mouse para movementar-se e o botão esquerdo para atirar/jogar o seu objeto escolhido…

Goodbye Mr. Bush

O outro jogo, Super Obama World, podemos ajudar o Presidente Obama chegar ao seu destino. Use as teclas de seta para movimentar-se e a barra de espaço para pular.

Super Obama World

Yes, we can!

Nota: os monges também podem brincar e dar risada!!! Divertam-se!

Na mesma linha do artigo anterior, “A Dança da Vida”, este vídeo – do documentário “Playing For Change: Peace Through Music” e movimento do mesmo nome – retrata a nossa humanidade em comum, através da música que transcende todas as diferenças raciais, etnicas e culturais. Foi preciso 10 anos para completar o documentário.

Me emociono profundamente vendo estes vídeos que mostram de uma forma tão visível o fato que, não importa a cor da pele, as roupas, as cultura – somo todos seres humanos que sonham e choram, riam e cantam.

Que possamos compreender isto profundamente e abandonar as nossas discriminações e guerras. Que possamos praticar a verdadeira solidariedade e “stand by one another” (ficar do lado uns dos outros…).

Stand By Me (tradução)
John Lennon
Composição: Ben E. King/John Lennon
fonte: Letra.com.br
ver a  letra original em inglês

Quando a noite chega
E a terra está escura
E a lua é a única luz que nós veremos
Não, eu não terei medo, não, eu não terei medo
Apenas se você ficar ao meu lado, fique ao meu lado

E querida, querida, fique ao meu lado, oh agora agora fique ao meu lado
Fique ao meu lado, fique ao meu lado

Se o céu no que nós olhamos
Deva explodir e cair
E as montanhas devam se esmigalhar no mar
Eu não chorarei, eu não chorarei, não, eu não derramarei uma lágrima
Apenas se você ficar ao meu lado, fique ao meu lado

E querida, querida, fique ao meu lado, fique ao meu lado
Fique ao meu lado, fique ao meu lado, Fique ao me-eu lado, sim

Quando você estiver em perigo
agora, agora, fique ao meu lado
Oh fique ao meu lado, fique ao meu lado, fique ao meu lado

Querida, querida , fique ao meu lado, fique ao meu lado
Oh fique ao meu lado, fique ao meu lado fique ao meu lado.

Este vídeo, patrocinado por uma marca de goma de mascar (Stride), mostra um rapaz norte-americano, Matt Harding, dançando (muito mal) em cada lugar que visita – com as pessoas que encontrava.

É um belo lembrete do fato que, por trás de todas as nossas diferenças – raça, etnia, língua, cultura – somos todos seres humanos compartilhando a dança da vida.

A música de fundo, a canção “Praan”, composta por Garry Schyman, cantada em bengali, é inspirada num poema de Rabindranath Tagore, um poeta indiano que foi reconhecido internacionalmentecom o Prémio Nobel da Literatura. Aqui está a tradução em português desse poema:

Corrente de Vida

A mesma corrente de vida que flui pelas minhas veias noite e dia
atravessa todo o mundo em danças com rítmicos compassos.
É a mesma vida que faz brotar alegria através do pó da terra
em inúmeras lâminas de erva
e desdobra-se em tumultuosas ondas de folhas e flores.
É a mesma vida que é embalada no oceano, berço de nascimento
e da morte, no fluxo e refluxo.
Sinto que as minhas extremidades são glorificadas pelo toque glorioso deste mundo de vida.
E orgulho-me deste trânsito da vida desde os séculos dos séculos que dança no meu sangue neste momento.

Um retiro Zen Budista (sesshin), geralmente, é um momento de “afastamento” do mundo para uma viagem intensiva de auto-conhecimento, no mundo interno de cada um dos participantes. Como resultado deste foco interno de nossa prática, algumas pessoas imaginam que os Budistas são pessoas socialmente “alienadas”, desligadas dos sofrimentos do mundo. Foi criado o termo “budismo engajado”, pois algumas pessoas tem a falsa idéia que o budismo é uma religião não “engajada”, alheia ao que acontece socialmente. Isto é uma concepção errônea – historicamente, os templos Budistas sempre foram socialmente ativos, construindo escolas e hospitais e mantendo relacionamento direto com as comunidades. Há vários contos Zen que demonstram o envolvimento dos monges com suas comunidades, especialmente nos momentos de crise e de desastres naturais.

No Budismo, sabedoria sem Compaixão não é a verdadeira Sabedoria, e compaixão sem Sabedoria não é a verdadeira Compaixão – enquanto que a Iluminação significa a abertura do olho de Sabedoria junto – e em equilíbrio – com a abertura do coração de Compaixão, como as duas asas de um pássaro.

Este ano, o nosso retiro anual “Rohatsu Sesshin” coincidiu com um momento de desespero e necessidade por parte do povo do estado de Santa Catarina, devido às chuvas de 60 dias e as enchentes resultantes. Consequentemente, decidimos dedicar parte de nosso retiro para levantar as nossas doações de alimentos, materiais de limpeza e roupas e entregá-las ao Corpo de Bombeiros da nossa vizinhança.

O Bombeiro, que nos atendeu, nos mostrou as doações que estão sendo recebidas neste ponto de coleta. Na foto, fica visível menos que a metade do material doado que estava lá naquele dia – que bela demonstração de solidariedade por parte de nosso povo! Ainda explicou que, neste momento, a necessidade maior é de alimentos, água, material de limpeza e dinheiro para a re-construção, com as roupas doadas ficando mantidas para envio posterior. Ainda mais, como o povo local está retomando as suas atividades “normais”,  já está faltando mão-de-obra voluntária para ajudar na distribuição do material doado.

A doação de dinheiro também é necessária (para as obras de reconstrução) e é uma doação tão honrosa quanto a doação de tempo e energia. Recebi mensagens que tratavam a doação de dinheiro como algo menos “digno” que a doação de bens e tempo, e, discordo de tal discriminação. Todas as doações – de bens materiais, de tempo, energia e de dinheiro são importantes.

Aqui, os dados das contas oficiais da Defesa Civil de Santa Catarina, para as doações de dinheiro:
Caixa Econômica Federal – Agência 1277, operação 006, conta 80.000-8
Banco do Brasil – Agência 3582-3, Conta Corrente 80.000-7
Besc – Agência 068-0, Conta Corrente 80.000-0.
Bradesco S/A – 237 Agência 0348-4, Conta Corrente 160.000-1
em nome de Fundo Estadual da Defesa Civil, CNPJ – 04.426.883/0001-57.

A Defesa Civil de SC alerta sobre ação de golpistas pela Internet. A Defesa Civil não envia mensagens eletrônicas com pedidos de auxílio. As contas oficiais para depósito são as publicadas neste site.

http://www.defesacivil.sc.gov.br/index.php?option=com_frontpage&Itemid=1

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Que tipo de influência você está sendo?

Crianças vêem.
Crianças fazem.
Seja uma influência positiva.

Atores não são prostitutos ou garotos de programa, atrizes não são prostitutas ou garotas de programa e a quase totalidade das pessoas do público não são “voyeurs”. Assim, os atores e atrizes não devem ter medo de serem “blacklisted” (colocados na “lista negra” e devem ter o direito – e proteção de sua categoria profissional bem como do público em geral – de se recusar a se despir, ficarem nus ou fazer cenas sensuais na frente das câmeras ou nos palcos.

Podemos, como cidadãos, registrar a nossa preocupação com o constante aumento da “sexualização” da mídia – a banalização de cenas de sexo, estupro, violência de todo tipo e a apresentação destas coisas. Podemos fazer o nosso “trabalho de beija-flor” – mesmo que seja enviando um simples e-mail para a produção de uma novela ou para empresa que patrocinou um determinado programa comprando espaço publicitário. Podemos entrar nos sites dos programas de TV, por exemplo, achar o botão “fale conosco” e registrar as nossas opinões. Geralmente, fazer uma busca com o nome do programa seguido por “+fale conosco” deve dar certo. Certamente não é ficando quietos, abaixando a cabeça que vamos ajudar a mudar as coisas. Muito pelo contrário – o nosso silêncio nos torna co-responsaveis pela continuação destas situações…

Alegar que isto é “arte” já virou uma farsa – a verdade maior é que estes roteiristas, diretores e produtores que apelam para tantas cenas de nudez e sexualidade estão simplesmente demonstrando sua falta absoluta de criatividade, uma vez que costuma ser aquilo que fica coberto que provoca mais a nossa sensualidade.

Seguem trechos do texto do ator Pedro Cardoso, na primeira exibição pública do filme “Todo Mundo Têm Problemas Sexuais” no cinema Odeon no dia 08 de outubro de 2008 e publicado no blog todomundotemproblemassexuais no dia 9/10/08 (os destaques são meus).

Senhoras e senhores, nesta primeira exibição pública de “Todo Mundo Têm Problemas Sexuais”, eu gostaria de, na qualidade de ator e produtor do filme, compartilhar com vocês algumas preocupações a respeito da pornografia que percebo presente na quase totalidade da produção audiovisual mundial, e na brasileira especialmente; e como esta invasão está aviltando a profissão de ator e de atriz; e gostaria, de situar o filme no contexto desta questão.

A meu ver, as empresas que exploram a comunicação em massa (e as que dela fazem uso para divulgar seus produtos) apossaram-se de uma certa liberdade de costumes, obtida por parte da população nos anos 60 e 70, e fazem hoje um uso pervertido dessa liberdade.

Uma maior naturalidade quanto a nudez, que àquela época, fora uma conquista contra os excessos da repressão a vida sexual de então, tornou-se agora, na mão dessas empresas, apenas um modo de atrair público. Com a conivência de escritores e diretores (alguns deles, em algum momento, verdadeiros artistas; outros, nunca!) temos visto cenas de nudez, ou semi-nudez, ou roupas sensuais, ou diálogos maliciosos, ou beijos intermináveis, em quase todos os minutos da programaçãos das televisões e nos filmes para cinema, sem falar na publicidade. A constância com que essas cenas aparecem tem colocado em permanente exposição a nudez dos atores, especialmente das mulheres; é sobre as atrizes que a opressão da pornografia é exercida com maior violência, uma vez que ela atende, na imensa maioria das vezes, a um anseio sexual do homem. É raro o convite de trabalho, seja filme ou novela ou programa de humor, que não inclua cenas desse tipo para o elenco feminino.

No filme que assistiremos em breve, apesar do nome que tem, não há cenas de nudez. Embora o drama de todas as histórias aconteça nas imediações de atos sexuais, este filme não tem cenas de nudez. Esta foi uma sugestão minha que foi muito bem recebida pelo diretor, Domingos Oliveira, e por ele endossada. A minha tese é de que a nudez impede a comédia, e mesmo o próprio ato de representar.

[...] A pornografia está tão dissimulada em nossa cultura, que já não a reconhecemos como tal. Hoje, qualquer diretor ou autor de novela ou programa de televisão (medíocre ou não, mas medíocre também!), ou qualquer cineasta de primeiro filme, se acha no direito de determinar que uma atriz deve ficar pelada em tal cena, ou sumariamente vestida (já vem escrito no texto!), ou levando um malho, ou beijando calorosamente dez minutos um ator que ela acabou de conhecer (e já aconteceu de ser apresentado um prostituto para fazer uma cena de beijo com uma colega nossa). E depois, é frequente que esses cineastas de primeiro filme exibam para seus amigos, em sessões privê, as cenas ousadas que conseguiram arrancar de determinada atriz. (E quanto mais séria e profissional for a colega, maior terá sido o feito de tal cineasta de merda.)

E quando hesitamos diante de um diretor que nos pede a nudez, ele fica bravo, faz má-criação, como uma criança mimada, porque se considera no direito a ela. E se a atriz for jovem, é bem capaz que ainda ouça uns desaforos.

Até quando, nós atores, ficaremos atendendo ao voyeurismo e a desfunção sexual de diretores e roteiristas, que instigados pelos apelos do mercado, ou por si mesmos, nos impingem estas cenas macabras? Até quando, nós atores, e sobretudo, as atrizes, serão constrangidas a ficarem nuas em estúdios ou praias onde homens em profusão se aglomeram para dar uma olhadinha? Ou, pior: quando dissimulam o seu apetite sexual num respeito cerimonioso; respeito esse que é pura tática para não espantar a presa, a oferenda que vai ser imolada no altar do tesão alheio dos impotentes!  Um diretor não deveria pedir a uma atriz que faça algo que ele não pediria a uma filha sua. Assim como um homem não deve fazer a uma mulher algo que ele não quer que seja feito a uma filha sua. Eu não conheço outra dignidade além dessa.

Se essa gente quer nudez, que fiquem nus eles mesmos, e então conhecerão o uso pornográfico de suas próprias imagens e saberão onde dói! Além do que, seria uma doce vingança para nós conhecer a nudez dessas belíssimas pessoas, geralmente fora do peso!

Quem quer a nudez do outro, é porque tem problemas com a sua própria.

Eu ambiciono o dia em que os atores e as atrizes saibam que podem e devem dizer “não” a cenas onde não se sintam confortáveis. O dia em que saibamos que não temos obrigação de tirar a roupa, que esta não é uma exigência do ofício de ator e sim da indústria pornográfica. O dia em que não nos deixaremos convencer por patéticos argumentos do tipo: “é fundamental para a história”, “a luz vai ser linda”, “você vai estar protegida”, “é só de lado”, “a gente vai negociar tudo”, “se você não gostar, depois eu tiro na edição”, e o pior argumento de todos, “vai ser de bom gosto”. E a conclusão de sempre “confie em mim”. E há também um argumento criminoso: “O programa é popular. Tem que ter calcinha e sutiã.” Como se a gente brasileira fosse assim medíocre.

[...] Claro que tudo isso nos é vendido como algo inofensivo, apenas uma crônica dos costumes do nosso tempo. Mas esse é o grande álibi para a disseminação da pornografia através do nosso trabalho. Há muito tempo estamos passando por esse constrangimento e fingimos que não. Temos mil desculpas esfarrapadas para nos enganar. Mas a verdade é que temos medo de ficar sem emprego. A pornografia é uma mercadoria muito fácil de vender, mas eu acredito que o público, por fim, a rejeita e se sente desrespeitado.

[...] Onde há pornografia, não há liberdade. Há alguém ganhando dinheiro e alguém sofrendo para produzir o dinheiro que este outro está ganhando. Quem se vê submetido a cena pornográfica, sempre sofre, mesmo apesar de seus possíveis comprometimentos subjetivos a tal submissão. O comprometimento eventual de alguns de nós, não legitima o ato agressivo de quem propõe a pornografia.

A quem se afobe em me acusar de exagerado, eu só peço que assista aos filmes recentes e a televisão. Está tudo lá. É só ter liberdade para ver.

[...] Para que não digam que eu sou contra a nudez em si, dedico este texto a atriz Clarisse Niskier, que faz de sua nudez em “A Alma Imoral” um excelente instrumento para a narrativa do seu espetáculo e não um ato pornográfico. Na televisão não há cena de nudez que eu me lembre de ter considerado justificada, mas no cinema há pelo menos uma: Leila Diniz vestindo a nudez de sua personagem no filme “Todas as Mulheres do Mundo”, enquanto o personagem de Paulo José diz um belíssimo poema de Domingos Oliveira.

[...] acréscimos

[...] O anseio sexual é constante no homem, não deve ser permanentemente atiçado. Sem o ser, ele já nos traz transtornos e alegrias suficientes. A arte e a cultura e o esporte e a amizade, entre outras coisas, devem nos descansar dele, e não nos levar de encontro a ele. Quando assistimos a um bom filme (ou peça de teatro ou capítulo de novela ou programa de auditório, ou comercial de televisão) ficamos felizes e temos vontade de viver, de encontrar pessoas e, quem sabe até, nos apaixonarmos por alguém. Quando assisitimos a pornografia, somos induzidos a masturbação, ficamos solitários e depressivos. Enquanto a arte nos acalma, a pornografia nos angustia porque não temos defesa contra ela. Qualquer pessoa é suceptível a nudez. A visão da nudez desperta inevitavelmente o anseio sexual; que, uma vez desperto, só sossega quando consumado. E como não o conseguimos consumar na velocidade em que ele pode ser estimulado, esta frustração nos irrita e acirra nossa violência. Daí o perigo de a pornografia ser difundida, sob o disfarce de obra dramatúrgica, com tanta frequência pelos meios de comunicação em massa.

[...] 10/10/2008

agradecimentos, uma resposta e uma síntese

[...] Entre a pornografia e a arte há muitas nuances, mas elas não são a questão aqui. O que eu digo é que há pornografia na imensa maioria da produção audiovisual para atender a ambição de ganho financeiro, e que isto está tornando a vida dos atores um tormento. Quase não há ofertas de trabalho onde a pornografia não se insinue. As exceções existem, mas não cabe a mim discutir quais elas seriam, mesmo porque não tenho o monopólio de uma verdade, que é, por sua própria natureza, bastante afetada pela subjetividade de cada um. Agora, a invasão da pornografia é um fato bastante objetivo e facilmente comprovável. Sua presença é tão evidente, e o desconforto que causa já me foi tantas vezes relatado por colegas, que eu me sinto confiante para apontá-la. Será difícil encontrar uma atriz (ou espectadora) que não tenha passado ao menos por uma situação onde não tenha se sentido constrangida.

[...] Essa é a minha questão, e nenhuma outra. Acredito que o ator, novamente senhor do seu trabalho, não produzirá pornografia (com raras exceções). Por isso anseio pelo dia em que diremos “não” às cenas que não queremos fazer. E, quando formos muitos a dizer esse “não”, o mercado terá que se submeter a nossa vontade e a história mudará. É uma questão ética e política para mim. [...]